sábado, 15 de junho de 2013

Ela é carioca


Sim eu sou carioca, e muito do que me faz ser carioca está nas vivências únicas e fantásticas que só quem é carioca pode ter.

Sou nascida em Vila Isabel, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da UERJ, nome de um ex prefeito do Rio quando ainda era distrito federal, situação que não vivi em minha cidade. O meu Rio já era um Rio que havia perdido este status e ainda mantinha uma pose universal, um pouco decadente, confesso, internacional, uma vitrine. Com esse meu jeito um pouco infantil de pensar, as coisas faladas e escritas terminam sendo visualizadas. Sempre que pensei na vitrine, via o Rio com um vidro um pouco embaçado, insinuando mais as coisas do que mostrando diretamente; e sempre vi isso como algo poético, bonito mesmo do Rio de Janeiro.

Mas sobre mim, moradora da zona norte, pertinho da Mangueira, amor que sempre me dividiu, admiro muito a Escola de Samba de Vila Isabel, mas a bateria da Mangueira é que me faz vibrar. Tive uma infância gostosa, com cheiro de sardinha frita, do freio do trem, comendo fruta no pé e soltando pipa. Além de outras coisinhas mais, mas não é bem disto que quero escrever, quero me desfrutar com as memórias que me voltaram a visitar ao ver uma foto da geral do Maracanã.

Aprendi a nadar no Maracanã, este lugar sempre foi muito emblemático, marco de muitas mudanças na minha vida. Ir para o Maraca duas vezes por semana e entrar pelo portão nove de maiô azul marinho e nadar numa piscina olímpica... um medo de mergulhar, acho que por isso que até hoje não entro de cabeça ela era muito grande dava um medo danado e parecia que ninguém ia me salvar, nem o Maracanã.  Com o passar do tempo percebi o privilégio de dar as minhas braçadas e pernadas tortas, golfinho, borboleta e de prestar atenção nos mais velhos, os profissionais, isso eu não entendia de jeito nenhum. Como assim? Alguém trabalha nadando? Lembro de pensar no ciúmes da baleia por ter aquele outro mamífero vivendo de estar na água, não fazia o menor sentido.

E a pista? Descobri que podia correr, saía do metrô com minha mãe torcendo para ir pelo lado da rampa para correr até o Maracanã; descia correndo gritando avoar avoar avoar AVOAR! Juro, essa era uma das minhas palavras preferidas, ainda mais porque eu sabia avoar... Afinal, Avoar era para poucos e um tipo de segredo entre mim, os pássaros, as folhas do flamboyant de frente da minha janela e os anjos do céu, esses eu nunca via, mas esta é outra história.

Mas voltando para o meu Maracanã, meu sim, porque ali, eu descobri o que é ter algo que é de todo mundo, o tal do público, algo que eu entendi: ah sim, meu direito e meu dever. Meu Maraca que na mesma época descobri que vem do tupi guarani que tem haver com o barulho dos pássaros (e daquele instrumento barulhendo pra daná), e os índios que nunca tinham entrado na minha vida sem ser no dia 19 de abril e na musica da Baby Consuelo que virou Baby do Brasil (outra historia!) agora estavam no meu dia a dia e se juntou ao abacaxi, na palavra e no gosto. Todo dia que ia correr no Maracanã comia um bolo de chocolate com minha amiga Paula.  Outra coisa que me deu o Maracanã, muitos bolos de chocolate.

Mas e o campo? Passei muitos anos entrando no Maracanã sem ver o campo, o jogo, o tal do futebol, Maraca pra mim era natação, corrida, caminhada, índio, bolo de chocolate, avoar e música, muita música. Assisti lá o show da minha primeira banda preferida: New Kids on the Block, uma pirralha feliz. Que claro com essa e muitas outras oportunidades não perdia nenhum show, quer dizer nenhum show que meu pai deixasse ir, mas foram mais de dez anos assistindo shows sem sequer saber pra que show realmente ele, o Maracanã, foi feito; até que com meu primeiro namorado fui ver o tal do futebol: Flamengo e Vasco, eu, do contra, Vasco, meu namorado flamengo, e claro fomos assistir na torcida no Flamengo, na verdade, nada contra, Flamengo foi meu primeiro time. E foi inacreditável. Foi quando entendi, percebi porque aquela quantidade de concreto do “maior do mundo” existia, porque meu vizinho tinha o nome de três jogadores do time do pai, porque chamamos de paixão nacional. Futebol não é só jogar, é viver, ter em todos os lugares o esporte não mais como tal mas como oxigênio. Coisa mais linda. Em poucos minutos nem o bolo de chocolate podia ter tanta graça. Era algo como... como... era Avoar. Manter-se em suspensão num estado de plenitude e alegria, euforia e expectativa. Só que em conjunto, um espanto; todo um estádio cheio de avoadores. Lindo. Obrigada namorado. Este ainda é meu namorado (mas esta história merece uma escrita bem maior!). 

Isso tudo por causa de uma foto, uma foto que me trouxe de novo essa lembrança, ela é  carioca, eu sou carioca. Viva ela! Viva o Maraca, viva o Rio de Janeiro, viva o futebol!


foto de Ricardo Azoury: Torcedora do Flamengo comemora, na geral do Maracanã, o título de Campeã Brasileira 1980

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Como se fora brincadeira... Memória

Abri uma caixa de bombons - ai a páscoa... acaba com toda a minha regra de comer poucas besteiras e manter minha saúde intacta e a bunda no lugar. O que vai me custar mais algumas horas andando numa bicicleta, que não vai pra lugar nenhum, ouvindo Queen, Rolling Stones e David Bowie.
Mas observar os bombons foi ótimo, me lembrou a infância e de quanto eu sempre gostei de olhar para eles, eles são lindos. Nessa época era sensacional ficar muito tempo olhando, melhor do que comer.
Mas notei que o layout do meu prazer mudou, agora está tudo diferente, com a caixa amarela de sempre, mas dentro, os pacotinhos brilhantes são outros. Até o Alô Doçura (até ele!) está mais moderno - contemporâneo.
Mas eis que que no momento que pensei que toda a minha alegria tinha ficado para trás vi ele, triunfante, amarelo, vermelho, com aqueles dizeres lindos, música  para meus olhos: Serenata de Amor!
Alívio. Foi repaginado mas continua o mesmo...
Agora malha doida, malha! 

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O tempo de cada um e o tempo de todo mundo


Posso dizer que mudou, o mundo mudou.
Depois do episódio anterior ficou uma sequela. Minha cirurgia durou 3 horas, fiquei na posição ginecológica (!) o que pressionou meu nervo ciático nesse tempo e me deu de presente uma parestesia no pés! Tudo formigando e andar se tornou uma aventura divertida, principalmente pra quem vê.
Agora o ritmo mudou e assim tudo mudou, eu que faço muitas coisas ao mesmo tempo continuo pensando muito mas fazendo, fazendo devagar e o mais interessante é andar pela cidade.
Me impressionou como corremos, isso é fascinante. Eu sei que meu ritmo sempre foi como de todo mundo que eu estava assistindo, e talvez por isso sempre deixei passar essa questão, mas a velocidade é enorme, passamos e nada fica, nem um olhar, nem um cheiro, nada fica, só quando algo nos faz parar, por mais banal que seja o motivo, tem que se parar para ver. E esse tempo me fez parar de maneira compulsória mas prazerosa. 
Ao caminhar devagar  e perceber coisas e pessoas me percebi sendo observada, e muito. Todo mundo que passava por mim teimava em não acreditar que alguém pudesse estar naquela velocidade sem que nada tivesse acontecido, olhavam em volta, voltavam a olhar pra mim com uma cara de literatura,  "Porque coxa se bela? Porque bela se coxa?", um cara interrogativa, quase me jogando pra frente.
Mas nada daquilo me abalava, e nem poderia mesmo, minha condição de passeadora, uma  flâneur compulsória no meio do corre corre me fez pensar no ritmo. Ninguém naquele momento parecia correr, cada um estava no seu ritmo, mas era muito mais acelerado do que o meu e muito parecido com o de todos que passavam por ali. Me perguntei algumas vezes porque a pressa, mas saindo da minha condição de superioridade pela calma (que de calma não tinha nada realmente, era mais um incomodo pela vagarosidade, ops, porque vagarosidade? Outro ritmo, melhor, bem melhor) noto que é um ritmo de conjunto, todos dançando uma mesma música, eu estava ouvindo uma bossa nova, enquanto todos estavam na escola de samba. OS ritmos são bons, e do mesmo jeito. A grande questão é: Quem ligou o rádio? É bom que todo mundo tenha seu ritmo, um só seu, que viva em conjunto com o do outro e faça um bom barulho.
Eu mantenho a calma ... Observar e deixar ver o que a cidade me dá de presente com essa falta de pressa. Prazer total.
As pedras portuguesas... lindas, algumas faltando, os defeitos dos lugares que só estão ali, o caco de vidro no chão que reflete o sol que está finalmente saindo. O calor no corpo.
O olhar de uma pessoa, de cada pessoa: alguns pra mim, outros, os mais interessantes para elas mesmas. E me gritam na imaginação:
- Carro, tenho que trocar de carro...
- Ai, meu ônibus, agora só daqui a vinte minutos!
- Ontem foi bom, mas a de hoje... adoro sexo de manhã.
- 1, 2, 3, 4, 5, 6...
- Pai Francisco entrou na roda, tocando seu violão - balanlanbanbão!
- Cores que começam com a letra F?... fucsia!
- Ser ou não ser..
- Ai coceira... gostozinn
Tantos olhos, tanta coisa, tanta gente, muito bom ser flâneur! Torcendo para voltar ao ritmo mas que a crítica a ele me ajude a encontrar meu ritmo.
O meu tempo
O tempo de todo mundo
Eu no mundo
Eu no tempo

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A vida imita ou é imitada?


Bom, vamos começar!!!! É grande, mas vale a pena dar uma lida para se preocupar e dar risada comigo!

Na sexta feira, dia 02 de out, acordei com uma dor nas costas muito grande, na linha dos rins, como bebo mais água que camelo antes da estiagem a primeira conclusão era: gazes! Ok, já havia sofrido por isso na gravidez, mas achei estranho que não sou mulher de guardar muita coisa, muito menos gazes!
A dor aumentou no grau do "não dá pra apresentar sessão" (sim estava no meio do festival do rio!). Ok, passando mal fomos eu e Lucas (namorado) para o hospital, mesmo sendo gazes eu tomava um sossega leão e ficava boa, não é?
NÃO!
Agora que começa o episódio 1 da nova temporada da série médica HOUSE, com Greg House, meu médico de mentira favorito!

Entra na clinica, mulher sem voz de tanta dor e vai direto para a emergência.
Na emergência toma medicamentos para dor e enjôo, Buscopan Composto e Plasil (vamos manter os detalhes)
Imediatamente Flávia, a médica do plantão, pergunta o histórico da dor para a mulher, probabilidade de gazes, gravidez, infecção ou lesão renal (pedra nos rins). Manda bateria de exames de sangue e urina.
3 tubinhos de sangue retirados da mulher que já está recebendo medicamento via venal (2 furos no mesmo braço em 5 minutos!)
Horas depois, descartados gravidez e infecção, e já com menos dor, a médica recomenda à mulher mudança para hospital para mais exames, vai para a central fazer ultrassonografia abdominal e transvaginal, ali só até meio dia. A mulher sai por meios próprios, com o namorado, pois a situação da dor não é tão forte e esperar ambulância do hospital significa esperar algumas horas a mais.
A demora no outro hospital não é tão grande, Bruno é o medico residente da emergêngia que a recebe no hospital e a encaminha para os exames. Durante o primeiro exame Max, o técnico da ultra observa algo, olha para a mulher sem nenhuma expressão marcante, pede um minutinho...
Volta com Bruno. Os dois observam o que Max havia visto: 
Bruno - é, está aumentado
Max - tá vendo aqui ó, olha o tamanho do direito, tudo certinho, passamos pelo útero, tá vendo, esse é o útero, agora olha esse...
Bruno - tá grande mesmo!
mulher - pessoal... do que vocês estão falando? É algo que eu preciso me preocupar?
Depois de olhar para o marido, os dois interrogativos e um tentando parecer mais calmo para o outro.
Max - não, não. Péra só um minutinho…
Abre a porta e manda chamar alguém que está ali perto.
Max - entra, entra, vem ver uma coisa.
Max - essa é a doutora Gabriela, ela é da cirurgia.
Bruno - ela que vai cuidar de você a partir de agora.
mulher - agora, como assim, não estava tudo bem, de repente tem mais dois médicos observando meus ovários, e a Gabriela da cirurgia que vai assumir esse caso. Que caso?
Max - Não, não é nada demais é que a gente viu aqui o seu ovário esquerdo muito aumentado e a gente está observando esse tumor.
Bruno - olha só, é isso aqui? tá quase do tamanho do útero!
Max - é tá vendo, o esquerdo... o direito
Gabriela - hi, é... ó, não se preocupa não que você é muito jovem e na sua idade deve ser benigno...
Uma hora de pesquisa externa e interna (não esquecer que tinha a ultra TRANSvaginal!) a mulher escuta muito a palavra tumor e que tipo de tumor... E é liberada com o pedido de ressonância magnética e um outro tipo de exame de sangue, tumoral ovariano. O processo só poderia continuar depois do resultado do exame, que só poderia acontecer na segunda feira.
Mulher trabalha normalmente no fim de semana com A palavra na cabeça, benigno ou não a dúvida era essa, mas ok, bola pra frente! Tenho que manter a calma, pensava sem parar, primeiro tenho que saber direitinho o que é.
O namorado consegue contactar Lena, médica conceituada nacionalmente e amiga da família, e o principal, a mulher acredita e confia no que ela diz. Ela conversam:
Lena – olha, não adianta sofrer antes, fica calma que eu vou acompanhar de perto, posso indicar medicos aí no Rio muito bons. Não te preocupa que qualquer massa que aparece onde não deveria aparecer é chamada de tumor.
Mulher desliga o telefone mais calma mas pensa: se tudo que é massa é chamada de tumor porque a gente não chama logo tudo de massa?...
Segunda: função ressonância, liga pra lá, liga pra cá. Pronto exame marcado para 17h20!
Apresenta sessão no cinema e vai com o marido.
Clinica linda high tech, toda clean, cool e todos os adjetivos americanizados que se dá para um lugar chic que se entra para lembrar da mortalidade humana!
Mulher coloca o roupão para o exame e abre a porta, do lado de fora espera a enfermeira
Enfermeira – Oi meu nome é Eloá e eu vou te acompanhar no exame tá?
Mulher sorri! Isso é um sinal, um bom sinal!
Mulher – você tem o nome mais bonito do mundo, é o nome da minha filha. Escreve diferente mas é o mesmo nome.
Na cabine, prestes a entrar na maquina mulher se sente um pouco sozinha e olha para a sala onde os médicos de diagnósticos ficam, em frente, e aperta os olhos para enxergar através do espelho, procura e... não, House não está lá, deve ter ido ao banheiro, paciência...
22 minutos de música tecno (que o barulho dessa máquina é igual ao que se escuta nessas festas) e "respira fundo... agora preeeende. isso, solta o ar e respira normalmente..." incontáveis vezes. Acaba o exame. Agora é esperar.
Terça de manhã, ligam da clinica para a casa da mulher querendo o contato da médica. Pronto; morri - pensou a mulher.
Duas horas de busca depois Lena consegue falar com Angela, ginecologista da mulher pelo plano de saúde e pessoa que entrou em contato primeiro com a clinica de diagnóstico. 
Logo depois, toca o telefone da mulher:
Lena - oi, falei com a Angela e ela me disse que a probabilidade maior é de torção no ovário.
Mulher começa a pensar em todos os diagnósticos falados até agora para ela e… não, esse é novo.
mulher - o quê que é isso!
Lena - torção, torção mesmo, um movimento no ovário que impede a circulação e a medida é cirurgia imediata, como você já deve estar nesse quadro a algum tempo não te preocupa, dá pra esperar um pouco, entre hoje e amanhã observa se o incômodo aumentar vai direto pro hospital... Pula!
mulher - pular?
Lena - é, pula.
...
mulher - pronto, não senti nada.
Lena - Certo, não te preocupa que você está sendo bem assistida, eu falei com a Angela. Fala com sua médica e qualquer coisa me liga.
A mulher olhou para os lados, com o telefone nas mãos procurando algo que fizesse sentido.
mulher - Greg? Cê tá aí?... nada.
Durante toda a terça feira a mulher, com seu marido tomou todas as providências, fez mais exames (outro tubo de sangue - mais um furo no braço! Pode trocar?).
Namorado – bem, pelo menos a gente já sabe o que é. E dos males o menor. Fica tranquila, eu estou aqui o tempo todo do seu lado, vai dar tudo certo.
Só com o namorado ela fica mais tranquila, mulher pensa na anestesia geral, abraça ele forte, lembra que vai ficar sem um dos ovários…
Namorado – pode chorar, tudo isso foi muito barra pesada, eu estou aqui.
Mulher conversou com Angela e foi dormir com uma informação mais apaziguadora. Desenvolveu em sua cabeça uma teoria sobre seu ovário: um ovário suicida metido a pavão.
Era um ovário que já não estava satisfeito com sua condição e que resolvera se suicidar, mas não poderia ser de uma maneira discreta, deveria ser forte e definitivo! A data, no dia da escolha da cidade olímpica de 2016.
Animado com a ocasião, o ovário esquerdo faz o seu ato final: num esforço olímpico dá um duplo twist carpado (manobra santos!) e se despede no grito de comemoração da cidade do Rio de Janeiro...
É, só pode ter sido assim, pensa a mulher.
Quarta feira é o dia da cirurgia. A mulher sabe que Angela, sua médica, não vai operá-la, a cirurgia será feita por Rogério Gusmão, médico oncologista, colega mais que competente de Angela e diretor do hospital.
Angela - você está em ótimas mãos, eu não opero com vídeo e no seu caso é a melhor medida, por isso o doutor Rogério é a melhor opção para você. Fica tranquila, se eu fosse entregar minha barriga para alguém e fosse o doutor Rogério eu respiraria tranquila.
Depois do exame da médica, mulher segue seu dia e vai para o hospital.
Tudo pronto, no quarto 201 vai para a cirurgia. Passa calma para o marido mas chora, nunca passou por aquilo, anestesia geral...
Na sala de cirurgia reconhece, foi ali que teve a filha! Mais um bom sinal.
Wal, o anestesista se apresenta, simpático, explica como vai ser. Coloca a mulher na cama e coloca seus braços em um suporte específico, mulher pensa – na cruz... mas deitada, ok!
Entra uma mulher linda, parece a Pocarontas da Disney em carne e osso de touca de hospital, era Lilian, a enfermeira da cirurgia.
Lilian – oi, eu estou aqui e vou ficar aqui o tempo todo com você.
Foi aí que a mulher teve certeza, aquilo era um programa de tv, o House não faz cirurgia, mas aquela equipe só podia ser dele, será que Gregory House existe e mora qui no Rio? Ah ia ser ótimo… ah... acho que a anestesia tá começando a fazer efeito e estou delirando, será que tudo isso é um delírio?
Wal – pensa numa coisa muito boa.
Pisca, pensa em coisas boas... o nome da filha...
Lilian – a cirurgia foi um ótima, foi tudo bem e você está bem.
Mulher – oi? Já?
3 horas depois abre os olhos. Foi tudo um sucesso! O ovário foi retirado e tudo está tudo bem, foi uma operação fácil e tranquila.
mulher - por favor, posso falar com o doutor Rogério?
Rogério - sim?
Mulher pisca duas vezes. Esse é o doutor? Era um homem bonitão, grisalho, sorridente, muito distante da estética dos médicos que existem no mundo, parecia realmente saído do cinema. Que estranho... a teoria sempre voltava, mas naquela hora estava ainda muito grogue da anestesia.
mulher - como foi, tudo bem?
Rogério - foi tudo muito bem a operação foi ótima e você está muito bem.
mulher - obrigada doutor! Você é um pop star!
Depois desse desabafo, mulher foi dormir e se recuperar da semana que lhe deu muito sustos, tirou muito sangue, um ovário suicida, e um médico gatão. Além da certeza que aquilo foi muito, muito estranho... só com ela mesmo!
Greg, beijo, me liga.





sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Crepúsculo dos ídolos

Kumo ka arashi ka
inazuma ka
Heiwa o aisuru hito no tame
Morote o takaku kaidangi
Hei, sono na wa kido - Hei, Nationaro Kido
Bokura no Kido - Kido! - Nationaro Kido

quinta-feira, 4 de junho de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ô seu moço...


Em 23 de maio de 2009, um artista plástico, que não merece ter o nome citado em meu querido blog, norte americano anunciou por mais de quinze dias seu trabalho: O sobrevôo de um disco voador pela orla do Rio de Janeiro, da Barra ao Leme, Praia do Flamengo e Lagoa Rodrigo de Freitas.
Keyna, animada com a festa se preparou e avisou a todos do acontecimento. Dei uma trégua ao meu corte ao Raul Seixas e retomei  moço do disco voador. Cantarolava o dia todo. Ai ai, pobre brasileira que dá crédito a qualquer um que se ama artista (se ama e se chama! taca fogo nessa chama!). 
Já sabia que um helicóptero que içaria o tal disco, mas pelos vídeos anteriores veríamos a brincadeira muito bem. Brincadeira... 
Não sei se por que aqui temos espetáculos maravilhosos e um carnaval cheio de tecnologia, mas esse disco não decolou, foi uma decepção.
O que temos é um pontinho colorido...
O que é um ponto colorido piscando sem graça?
Essa postagem no meu blog.
E ponto final.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

TPM - "O corpo não é uma maquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa" - Eduardo Galeano


Essa tal de TPM!
TPM mais que uma realidade, ficou um mito, mito muito usado pelas mulheres, o que me deixa extremamente chateada.
Claro que a tensão pré menstrual existe, nosso corpo é uma farra de hormônios e nessa dança do desce desce (desce você sabe o quê), a resposta pode ser com a tensão. 
O problema é que tudo que uma mulher é capaz ou incapaz de fazer está se ligando com a tal da TPM, feliz, sem tpm, infeliz, com tpm, decidiu para o sim sem tpm, fez algo que a maioria discorda, tpm! Ah tem dó. A pobre tensão virou desculpa para tudo.
A tensão pode vir como vantagem na vida. E não precisa ter data certa para vir.
Confesso que já me aproveitei dessa brecha machista para justificar um mimo ou outro na vida mas nesse jogo sempre tento equilibrar para não sair perdendo.
Ondas de humor todo ser humano tem, hormônio tanto homem quanto mulher tem mas o que fazemos com ele é nossa responsabilidade. 
A tpm tem se transformado na instituição da mudança repentina de humor. Como nesses teleatendimentos onde a "empresa" e o "sistema" que são responsáveis pela premiação ou advertência em relação ao seu comportamento com o produto: "Senhora, a empresa está presenteando com um ovo de ornitorrinco sua casa pelo seu cadastro" ou "O sistema não diz nada sobre o pagamento desse mês e está mandando uma nova conta".
Pois a tpm pode vir como conta e como prêmio, cabe a cada um escolher como quer lidar com esse doido corpinho que temos.
Meu humor é tão volátil que posso me considerar de tpm, tm e tpm: tensão pré menstrual, menstrual e pós menstrual.
Viva os hormônios!

quarta-feira, 22 de abril de 2009