Bom, vamos começar!!!! É grande, mas vale a pena dar uma lida para se preocupar e dar risada comigo!
Na sexta feira, dia 02 de out, acordei com uma dor nas costas muito grande, na linha dos rins, como bebo mais água que camelo antes da estiagem a primeira conclusão era: gazes! Ok, já havia sofrido por isso na gravidez, mas achei estranho que não sou mulher de guardar muita coisa, muito menos gazes!
A dor aumentou no grau do "não dá pra apresentar sessão" (sim estava no meio do festival do rio!). Ok, passando mal fomos eu e Lucas (namorado) para o hospital, mesmo sendo gazes eu tomava um sossega leão e ficava boa, não é?
NÃO!
Agora que começa o episódio 1 da nova temporada da série médica HOUSE, com Greg House, meu médico de mentira favorito!
Entra na clinica, mulher sem voz de tanta dor e vai direto para a emergência.
Na emergência toma medicamentos para dor e enjôo, Buscopan Composto e Plasil (vamos manter os detalhes)
Imediatamente Flávia, a médica do plantão, pergunta o histórico da dor para a mulher, probabilidade de gazes, gravidez, infecção ou lesão renal (pedra nos rins). Manda bateria de exames de sangue e urina.
3 tubinhos de sangue retirados da mulher que já está recebendo medicamento via venal (2 furos no mesmo braço em 5 minutos!)
Horas depois, descartados gravidez e infecção, e já com menos dor, a médica recomenda à mulher mudança para hospital para mais exames, vai para a central fazer ultrassonografia abdominal e transvaginal, ali só até meio dia. A mulher sai por meios próprios, com o namorado, pois a situação da dor não é tão forte e esperar ambulância do hospital significa esperar algumas horas a mais.
A demora no outro hospital não é tão grande, Bruno é o medico residente da emergêngia que a recebe no hospital e a encaminha para os exames. Durante o primeiro exame Max, o técnico da ultra observa algo, olha para a mulher sem nenhuma expressão marcante, pede um minutinho...
Volta com Bruno. Os dois observam o que Max havia visto:
Bruno - é, está aumentado
Max - tá vendo aqui ó, olha o tamanho do direito, tudo certinho, passamos pelo útero, tá vendo, esse é o útero, agora olha esse...
Bruno - tá grande mesmo!
mulher - pessoal... do que vocês estão falando? É algo que eu preciso me preocupar?
Depois de olhar para o marido, os dois interrogativos e um tentando parecer mais calmo para o outro.
Max - não, não. Péra só um minutinho…
Abre a porta e manda chamar alguém que está ali perto.
Max - entra, entra, vem ver uma coisa.
Max - essa é a doutora Gabriela, ela é da cirurgia.
Bruno - ela que vai cuidar de você a partir de agora.
mulher - agora, como assim, não estava tudo bem, de repente tem mais dois médicos observando meus ovários, e a Gabriela da cirurgia que vai assumir esse caso. Que caso?
Max - Não, não é nada demais é que a gente viu aqui o seu ovário esquerdo muito aumentado e a gente está observando esse tumor.
Bruno - olha só, é isso aqui? tá quase do tamanho do útero!
Max - é tá vendo, o esquerdo... o direito
Gabriela - hi, é... ó, não se preocupa não que você é muito jovem e na sua idade deve ser benigno...
Uma hora de pesquisa externa e interna (não esquecer que tinha a ultra TRANSvaginal!) a mulher escuta muito a palavra tumor e que tipo de tumor... E é liberada com o pedido de ressonância magnética e um outro tipo de exame de sangue, tumoral ovariano. O processo só poderia continuar depois do resultado do exame, que só poderia acontecer na segunda feira.
Mulher trabalha normalmente no fim de semana com A palavra na cabeça, benigno ou não a dúvida era essa, mas ok, bola pra frente! Tenho que manter a calma, pensava sem parar, primeiro tenho que saber direitinho o que é.
O namorado consegue contactar Lena, médica conceituada nacionalmente e amiga da família, e o principal, a mulher acredita e confia no que ela diz. Ela conversam:
Lena – olha, não adianta sofrer antes, fica calma que eu vou acompanhar de perto, posso indicar medicos aí no Rio muito bons. Não te preocupa que qualquer massa que aparece onde não deveria aparecer é chamada de tumor.
Mulher desliga o telefone mais calma mas pensa: se tudo que é massa é chamada de tumor porque a gente não chama logo tudo de massa?...
Segunda: função ressonância, liga pra lá, liga pra cá. Pronto exame marcado para 17h20!
Apresenta sessão no cinema e vai com o marido.
Clinica linda high tech, toda clean, cool e todos os adjetivos americanizados que se dá para um lugar chic que se entra para lembrar da mortalidade humana!
Mulher coloca o roupão para o exame e abre a porta, do lado de fora espera a enfermeira
Enfermeira – Oi meu nome é Eloá e eu vou te acompanhar no exame tá?
Mulher sorri! Isso é um sinal, um bom sinal!
Mulher – você tem o nome mais bonito do mundo, é o nome da minha filha. Escreve diferente mas é o mesmo nome.
Na cabine, prestes a entrar na maquina mulher se sente um pouco sozinha e olha para a sala onde os médicos de diagnósticos ficam, em frente, e aperta os olhos para enxergar através do espelho, procura e... não, House não está lá, deve ter ido ao banheiro, paciência...
22 minutos de música tecno (que o barulho dessa máquina é igual ao que se escuta nessas festas) e "respira fundo... agora preeeende. isso, solta o ar e respira normalmente..." incontáveis vezes. Acaba o exame. Agora é esperar.
Terça de manhã, ligam da clinica para a casa da mulher querendo o contato da médica. Pronto; morri - pensou a mulher.
Duas horas de busca depois Lena consegue falar com Angela, ginecologista da mulher pelo plano de saúde e pessoa que entrou em contato primeiro com a clinica de diagnóstico.
Logo depois, toca o telefone da mulher:
Lena - oi, falei com a Angela e ela me disse que a probabilidade maior é de torção no ovário.
Mulher começa a pensar em todos os diagnósticos falados até agora para ela e… não, esse é novo.
mulher - o quê que é isso!
Lena - torção, torção mesmo, um movimento no ovário que impede a circulação e a medida é cirurgia imediata, como você já deve estar nesse quadro a algum tempo não te preocupa, dá pra esperar um pouco, entre hoje e amanhã observa se o incômodo aumentar vai direto pro hospital... Pula!
mulher - pular?
Lena - é, pula.
...
mulher - pronto, não senti nada.
Lena - Certo, não te preocupa que você está sendo bem assistida, eu falei com a Angela. Fala com sua médica e qualquer coisa me liga.
A mulher olhou para os lados, com o telefone nas mãos procurando algo que fizesse sentido.
mulher - Greg? Cê tá aí?... nada.
Durante toda a terça feira a mulher, com seu marido tomou todas as providências, fez mais exames (outro tubo de sangue - mais um furo no braço! Pode trocar?).
Namorado – bem, pelo menos a gente já sabe o que é. E dos males o menor. Fica tranquila, eu estou aqui o tempo todo do seu lado, vai dar tudo certo.
Só com o namorado ela fica mais tranquila, mulher pensa na anestesia geral, abraça ele forte, lembra que vai ficar sem um dos ovários…
Namorado – pode chorar, tudo isso foi muito barra pesada, eu estou aqui.
Mulher conversou com Angela e foi dormir com uma informação mais apaziguadora. Desenvolveu em sua cabeça uma teoria sobre seu ovário: um ovário suicida metido a pavão.
Era um ovário que já não estava satisfeito com sua condição e que resolvera se suicidar, mas não poderia ser de uma maneira discreta, deveria ser forte e definitivo! A data, no dia da escolha da cidade olímpica de 2016.
Animado com a ocasião, o ovário esquerdo faz o seu ato final: num esforço olímpico dá um duplo twist carpado (manobra santos!) e se despede no grito de comemoração da cidade do Rio de Janeiro...
É, só pode ter sido assim, pensa a mulher.
Quarta feira é o dia da cirurgia. A mulher sabe que Angela, sua médica, não vai operá-la, a cirurgia será feita por Rogério Gusmão, médico oncologista, colega mais que competente de Angela e diretor do hospital.
Angela - você está em ótimas mãos, eu não opero com vídeo e no seu caso é a melhor medida, por isso o doutor Rogério é a melhor opção para você. Fica tranquila, se eu fosse entregar minha barriga para alguém e fosse o doutor Rogério eu respiraria tranquila.
Depois do exame da médica, mulher segue seu dia e vai para o hospital.
Tudo pronto, no quarto 201 vai para a cirurgia. Passa calma para o marido mas chora, nunca passou por aquilo, anestesia geral...
Na sala de cirurgia reconhece, foi ali que teve a filha! Mais um bom sinal.
Wal, o anestesista se apresenta, simpático, explica como vai ser. Coloca a mulher na cama e coloca seus braços em um suporte específico, mulher pensa – na cruz... mas deitada, ok!
Entra uma mulher linda, parece a Pocarontas da Disney em carne e osso de touca de hospital, era Lilian, a enfermeira da cirurgia.
Lilian – oi, eu estou aqui e vou ficar aqui o tempo todo com você.
Foi aí que a mulher teve certeza, aquilo era um programa de tv, o House não faz cirurgia, mas aquela equipe só podia ser dele, será que Gregory House existe e mora qui no Rio? Ah ia ser ótimo… ah... acho que a anestesia tá começando a fazer efeito e estou delirando, será que tudo isso é um delírio?
Wal – pensa numa coisa muito boa.
Pisca, pensa em coisas boas... o nome da filha...
Lilian – a cirurgia foi um ótima, foi tudo bem e você está bem.
Mulher – oi? Já?
3 horas depois abre os olhos. Foi tudo um sucesso! O ovário foi retirado e tudo está tudo bem, foi uma operação fácil e tranquila.
mulher - por favor, posso falar com o doutor Rogério?
Rogério - sim?
Mulher pisca duas vezes. Esse é o doutor? Era um homem bonitão, grisalho, sorridente, muito distante da estética dos médicos que existem no mundo, parecia realmente saído do cinema. Que estranho... a teoria sempre voltava, mas naquela hora estava ainda muito grogue da anestesia.
mulher - como foi, tudo bem?
Rogério - foi tudo muito bem a operação foi ótima e você está muito bem.
mulher - obrigada doutor! Você é um pop star!
Depois desse desabafo, mulher foi dormir e se recuperar da semana que lhe deu muito sustos, tirou muito sangue, um ovário suicida, e um médico gatão. Além da certeza que aquilo foi muito, muito estranho... só com ela mesmo!
Greg, beijo, me liga.